Sangrando Feminino

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Ser mulher/ Amandara Yin


Um dia desses estava em uma lanchonete com minha filha e comecei a observar os casais. Impressionava-me com os estereótipos, mulheres arrumadinhas, meigas e maquiadas ao lado de homens desleixados, grossos, sendo a vontade, livres,  em ser macho numa sociedade patriarcal. Não falo de escolha, pois garanto que poucas mulheres tem, me refiro aqui a ditadura da beleza em cima da mulher. 
Muitos falam que estamos no tempo da verdadeira liberação sexual da mulher, mas essa idéia me causa dúvidas. Eu não sei até que ponto a mulher se ver como ser humano, com autonomia, liberdade e vontades. A maioria se submete a sacrifícios em nome de uma condutas falida em prol ao homem. Desrespeita a sua natureza livre, de fazer escolhas sem ser baseada no molde machista. Aceitando migalhas de uma sociedade que subjuga a mulher, ridicularizando, erotizando e comercializando, garantindo o sustento desse modelo social capitalista. A mulher é um super produto! E com isso não gozam, isso mesmo, não sentem prazer, pois tentam suprir sempre a expectativa do outro, não dá tempo de tirar a máscara. Falta consciência, estudo, autoconhecimento, desconstrução. Tentar olhar com amor pra dentro de si, e pra fora.  E essa consciência é algo intrínseco. Muitas dizem ter e dão aulas sobre o assunto, mas na verdade não conseguem controlar nem seu dedo mindinho. De gerações a gerações mutiladas de nossa autonomia, como não sermos frágeis emocionalmente? Como buscar o poder silenciado dessa energia? As mulheres não sabem que podem sonhar, e o melhor, de olhos abertos.
Certo dia meu amigo Facioli me falou uma coisa muito interessante a respeito de relacionamentos: “O relacionamento conjugal deve acontecer para melhorar sua vida, nunca para piorar e nem para deixar como estar”. Achei perfeito!!   É um complemento da vida e não deve ser a vida.
Vejo que toda essa forma exteriorizada de olhar para o outro, manifeste nas pessoas, essa carência, padronização inútil e dependência. As pessoas estão mal. Mas me preocupo mais com as mulheres, puxando sardinha para o meu lado. São elas as rainhas dos sentimentos nobres. Onde estarão esses sentimentos daqui algum tempo? Mulheres mutiladas pelas suas próprias experiências.
Não que pareça que quem escreve aqui e certo tipo de puritana cristã que acha que a essência da mulher é perdoar (o homem) e ser extremamente prendada, não mesmo, tenho total aversão a isso, muito pelo contrário, acredito que toda essa maldição que cai sobre a mulher hoje é vinda da preconceituosa doutrina cristã, que passou essa ideia de que a mulher tem a obrigação de ser mãe e cuidar do marido. Pensem, a vida não pode ser isso!!! Seria injusto se fosse.
A cobrança que cai em cima da mulher hoje é extremamente cruel, é uma escravidão. A mulher deve ser bonita, gostosa, boa dona de casa, boa mãe, trabalhar fora, compreensiva, atenciosa, muda, cega e às vezes, bem às vezes, os homens cobram um pouco de inteligência, até porque isso em excesso pode vir a dificultar a relação.
Mas será que as pessoas já pararam para se perguntar no que acontece quando a juventude acaba e você tem que acordar com um estranho ao seu lado? Opa, espera aí... Estranho? É, isso mesmo, estamos na ditadura da estranheza. Somos todos estranhos uns dos outros. E está muito mais além do que relacionamentos sexuais, isso vem ocorrendo com todos os vínculos, e de verdade, é uma pena.
Um dos refúgios para não conhecer as pessoas tem sido o sexo performático, outras são as máscaras (ninguém sabe quem sou eu), muitas vezes as duas juntas, forma prática de se ter relação sem se relacionar. E essa ditadura gira em torno disso, do sexo casual sem o mínimo de autoconsciência e relacionamentos superficiais. Ow... Também não sou contra sexo casual, de forma nenhuma, tenha o “sexo” apenas como o objeto observador comparativo e explicativo, poderia ser criado outros artifícios para estereotipar a sociedade. A minha preocupação gira em torno das escolhas, e voltando ao ponto inicial, a escolha das mulheres. Até que ponto existe uma escolha para mulher dessa sociedade? As músicas, novelas, filmes, pensamentos, discursos, religiões, condutas são lixos que tem sido disseminado para manter a mulher presa. George Orwell em seu clássico previa essa prisão social. Caralho, o cara era um profeta.
É importante se pensar em como romper com esse padrão, se não onde vamos parar? Querendo sempre mais do mesmo, e continuando só? Pensa, pensa, pensa...
Penso, logo existo... isso é fascinante! E daí que surge o começo dessa mudança.
Somos a mudança.
Então vamos lá.
Por: Amandara Yin

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