Sangrando Feminino

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Sou feminista quando dá



  Assim, eu sou feminista quando dá... quando estou solteira ou quando não tenho nenhuma pessoa para amar, nada mais importante pra fazer... Porque assim que desabrochar essa tal de emoção dentro de mim, não consigo me conter, eu sinto o poder de ter alguém do meu lado, pode ser inocente ou culpado, não interessa, o meu vazio vai embora, não necessito do ombro que em outrora, tanto disse precisar, daquela mina, irmã que assim como eu não sabe como romper, caminhar, transcender a esse apego miserável que nos fazem iguais em condição. Esse poder de possuir, nunca me pertencer, só faz mesmo fortaleza pro opressor e nos separa do nosso ser. E quando digo me importar com as manas, sempre estou pronta a julgar. Gosto mesmo é de fazer alvoroço e subjugar aquelas que por construção histórica e familiar levam a vida do jeito que dá, mas não venha me falar nada do que já não sei, não quero a opinião de vocês nesse abusivo relacionar. Gosto de me superiorizar, usando títulos e termos que a maioria jamais entenderá. Sororidade só da boca pra fora, porque se estou bem com minha vida sexual o que interessa as minas que passa mal nos contextos abusivos e machistas que nem sempre vem do homem, pode minha companheira dessa forma ameaçar. Quando ela mulher como eu, policia minha roupa, meu sorriso, minha boca, minhas amigas e me afasta de tudo que tinha, para viver o castelo em ruínas que é esse o da posse. Que mais bela prova de amor! Possuímos objetos, não pessoas, eu sei exatamente, mas a teoria e a prática poucas vezes andam juntas. E isso realmente não me interessa, porque agora meu coração faz festa e não preciso de ninguém. Eu passo pano mesmo, e finjo que tá tudo bem porque esse contexto é meu não é de mais ninguém.
Sangrando Feminino é um livro que mistura contos e poesias, baseados em histórias opressivas de uma mulher desde que nasce, seus sonhos e fantasias, embasado em mitos, símbolos e resiliência.

Lançamento pela editora Kaliandra!

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Sobre o Amor

Sobre o amor

É um tanto quanto constrangedor falar do amor, assim como falar de Deus, sinto que estou compactuando com toda essa chapação histórica que em outrora seguíamos, e continuamos seguindo, esses enquadramentos constantes de conceitos. E esses conceitos em especial me causam aflição, já que vivemos a forte convicção da moral cristã. Não falo Cristo, oras... falo a moral humana de nome cristianismo, a que vivo em meu país. Essa sim merece total repúdio. Então busco aqui definir a não definição do amor, e abrir esse leque das infinitas possibilidades de amar.
A temática do amor vem sendo o enunciado de várias questões no decorrer da história, em principal das religiões sectárias que perpetuaram um medo e desejo em cima do amor. E é essa maneira que usa de conceitos pré-fabricados de uma cultura que defini, dita as regras e condutas existentes na sociedade. Enquadramos-nos de acordo com necessidades específicas de uma organização pouco condizente com a verdadeira experiência de amar. O que é dito é pouco praticado. O sábio poeta e músico Renato Russo certa vez falou algo interessante sobre o amor: “O amor não é uma coisa importante apenas porque as religiões dizem que seja, ou então porque é da natureza humana, mas sim porque pode ser uma espécie de passaporte para outras reflexões e outras sensações. Algumas dessas instituições tentam cada vez mais romper a conexão com o divino. É muito cruel, perverso, já que podamos a manifestação integra do ser.  E o que fode nisso tudo é que crescemos dentro dessa bolha maldita, num inconsciente coletivo impregnante que nos impede de vivenciar essa grande experiência. Somos crucificados, impedidos e ludibriados de querer, mesmo sem saber, a plenitude de amar. Romper essa bolha é nosso dever, não podemos ficar só na borda.
Sabemos que o ser humano está predisposto geneticamente à amar, já que o mesmo é fundamentalmente social e necessita dessa doação recíproca para satisfazer suas expectativas diante da vida. Toda essa frustração que a contemporaneidade passa esse vazio, a visão inteiramente estereotipada, a futilidade, tem como origem esse consumo, esse desligamento com a essência de si, desligamento com a natureza, com o todo. E perdemos o caminho desse campo essencial de sentimentos que funciona como um portal para abertura da consciência, que também vai depender das suas construções históricas, culturais e familiares. O amor é o fio condutor de todas as ideologias, quanto mais mecanismos se adquirem para romper o hímen da ignorância, mas probabilidades têm de penetrar nesse campo. E para sentir essa plenitude, é aconselhável entrar nu, despido de preconceitos, de sociedade, liberto.
Não é simples, eu sei... Como sei. Essa é uma luta diária com seus monstros internos e externos.  O capitalismo é a besta! O monstro das sombras norteando seus robôs para abdicar de seu coração, juntamente com as ditas “religiões”. Deixemos de ser robôs e tomemos posse de nossos corações. Derrubemos os muros que nos impede de trilhar o caminho do amor, lembrando que acima de tudo, o amor tem que ser liberto. A posse é apenas mais um dos mecanismos de acúmulo que esse sistema nos propaga como correto. Ter um ser humano para dizer que é seu, não digo “dizer”, mas digo “acreditar” que é seu, não te fará uma pessoa melhor. Oras, que coisa mais ridícula, tomar posse do que não te pertence... o outro pertence a ele próprio.  E ele e você têm o direito de vivenciar isso... Quebremos as amarras!

E quando conseguir penetrar nesse templo harmônico que é o amor terá certeza que não pertence e não é pertencido, que não existe conceito, racionalidade, apenas existe. E mesmo com todos os apegos, o amor vai te conduzindo a flexibilidades inimagináveis. Podemos sofrer? Muito! Porque carregamos essa roupa pesada, de construções duras, de crostas parcialmente resistentes...  Mas dá para ir tentando solta-la aos poucos... de pouquinho, em pouquinho... Sem pressa. E aí, podemos fazer nossas próprias leituras sobre o amor, sobre Deus, só que agora totalmente desperto.

terça-feira, 10 de junho de 2014

A Vida Despedindo - Amandara Yin

A vida despedindo
(Amandara Yin)

É muito real a morte
E a vida não faz sentido sem ela
É como se apostássemos na sorte
E enxergássemos através da sentinela.

Quantas vezes ouvimos os sussurros malditos
Que as mágoas exalam através de suas sutilezas
Como uma dança de Carlitos,
Como se despedindo da beleza.

A vida é branca misturada a Borgonha
Seu perfume é suave
Como o cheiro da maconha.

E a morte não é inimiga de ninguém
Amiga da vida e de quem convém
Sabia morte! Já sabe enterrar o que não é necessário.

domingo, 27 de abril de 2014

Poemas - Angústia/ Amandara Yin

Angústia

(Amandara Yin)

Parece um pão no peitoral
Uma massa de inércia que incha e machuca
Será motivada pelo pensamento e conduta
Que no viés de minha vida perpetuei?

E procuro a salvação pra tudo
Mas me refugio em meu próprio sofrer
Talvez seja mais fácil se esconder
Para o problema não resolver...

É o vício do passado
Garantindo meu futuro
Pra meu castelo mais seguro
Que é o de não se pertencer...

Mas eu quero romper!!!
Só não sei como agir
Para parar de fugir
Dessa luz que tenho em mim.

E bem nesse momento
Sentindo o sol e o vento
A tocar meu rosto
Sinto o peso do tempo...

Das mágoas, dos traumas, do sofrimento
Que insiste em não sair daqui.
Empacando minha caminhada
Para a vida e sua jornada.

Eu quero ser inteira...
E os pedaços que perdi
Quero reconstruir com nova madeira
Manifestando em mim a luz verdadeira...

E que toda angústia passe
E dê lugar para a aprendizagem
Para o amor de Ganesha em mim
Me conduzindo até o fim.

E jogo agora a mochila do passado
Para não mais comparar o antes com o agora
Porque de fato é nessa hora
Que todos devem estar.






Acanoar Amandara Yin

Acanoar - Amandara Yin

Com minha mão no barro
Procurando encontrar
O bar do reggae
Para a noite começar

E quando termino minha trilha
Vejo logo iluminar
A companheira da lua
A fogueira a brilhar

A vibe era de amor
O sorriso, a elegância.
Do mar a todo vapor
A nos presentear com total entrega.

E mesmo no Ceará
Já não era só lá
Que o mundo se manifestava
Era todo céu que nos unia ao todo.

E no meio do luar,
Do cantar, e do sorrir
Que brilhou a grande estrela
Contente para mim.

E naquele momento
De total deslumbramento
Pude dá espaço
Ao que transbordava aqui dentro.

Era um momento de chorar
De limpar a crosta toda...
De deixar sair
O que de fato vibra em mim.

Não tem como descrever
Nem poetizar
Já que só o olhar
De quem vê pode sentir.

Foi um momento de pura magia
Que me tirou as máculas do dia a dia
Para dar lugar
A pessoa que sou agora.

Passei pela caverna,
Pela lua e pela terra,
O mar com Iemanjá
Pra poder me encontrar.

Ou quem sabe o caminho
De poder perpetuar
O que renova a todo momento
Que é o pensamento.

É chegar a conclusão
Que o fim não tem não
É pura ilusão
Da limitação de nossas mentes.


Sobre o tempo... ( Amandara Yin)

Sobre o tempo - Amandara Yin 

Quando a dor é latente
E o gemido é sem som
Sem tom,
Aparente...
Apenas corre em você
O veneno da serpente
Que a pouco te picou
E deixou
Arder
Queimar
Sucumbir...
Para que entenda um pouquinho
O que é está aqui.
Mas vem alguém  te consolar
Dizendo e garantindo
Que  o tempo é o remédio
Que elimina o veneno...
E sem intermédio
Ele vai te curar.
É difícil de ouvir
E até desesperador
Ficar a mercê
De algo tão incerto
Quanto o elixir do tempo.
Mas daí entendemos
(com o tempo)
Que a roda não pára de girar...
E esse movimento
Contínuo e preciso
É que vai nos sarar.
E nos apoiamos em incertezas
Imediatas
De ópios  e mentiras
Loucuras contidas
Que só a imaginação nos dá.
E quando olhamos pra trás
Não conseguimos mais ver
O que não queríamos perder.
Porque o tempo
Já fez jus a sua história
E mesmo sem querer
Já demos adeus...
O tempo
Em sua sabedoria
Já se encarregou
De eliminar a euforia
Do sofrimento de outrora.
E hoje percebo
Que o que eu não puder resolver
O tempo cuidou  pra mim
Cuidará de você...
E tenho certeza

Que estará em boas mãos.

Textos Amanda